Setembro Amarelo

Você sabe o que é o SETEMBRO AMARELO? Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio que tem como objetivo informar as pessoas, promover eventos que abram espaço para debates e alertar, além de explicar as possíveis causas.

O assunto foi e ainda é um tabu muito grande. Infelizmente para muitos, o suicídio ainda não é visto como um problema de saúde pública, mas sim uma espécie de fraqueza de conduta ou personalidade que causa muito transtorno, dependendo de onde acontece. Quem nunca ouviu a frase: “Podia se jogar logo da ponte ao invés de atrapalhar o transito”?

No Brasil, o suicídio é considerado um grande problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado cada vez mais entre os jovens. De acordo com números oficiais da OMS (Organização Mundial da Saúde), 32 brasileiros se matam por dia em média, uma triste realidade que atormenta muitas famílias por falta de ajuda.

Vale ressaltar que o suicídio em si não é considerado uma doença, mas um ato complexo através de diversos fatores sociais, biológicos e emocionais que podem desenvolver transtornos diversos. No entanto, uma pesquisa recente da OMS mostrou que mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais como a depressão, presente em 36% das vítimas, a dependência de álcool também apareceu em 23% dos casos, assim como a esquizofrenia (14%) e os transtornos de personalidade (10%).

A OMS, também, nos mostra que o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade. Porém tem uma informação muito assustadora, a OMS afirma que em 90% dos casos o suicídio tem prevenção, mas a falta de informação e preparo faz com que aconteçam muitos suicídios que poderiam ter sido evitados.

Como já dizia os filósofos Bauman (2001) e Durkheim (2000), vivemos em uma sociedade em que se pratica a modernidade liquida da qual um indivíduo está sempre disposto a aderir às obrigações que lhes são impostas, sujeitando-se ao desgaste físico e psicológico para fazer parte da sociedade atual, com qualidade mínima ou nenhuma de sua saúde mental tendo suas relações interpessoais cada vez mais fluidas e com os avanços tecnológicos se afastando cada vez mais daqueles que estão perto e criando amizades virtuais a quilômetros de distância.

Além disso, a pessoa que pensou em cometer o suicídio se sente cada vez mais afastada da sociedade e seu psicológico fica cada vez mais abalado. Com isso o suicídio passa a ser a saída que muitos encontram para “resolver” seus problemas e acabar com seus sofrimentos.

Fruto de inúmeros gatilhos, o suicídio é uma medida extrema que pode ser contornada com ajuda especializada, diálogo e sensibilidade social. Falar sobre o assunto é extremamente importante justamente para que possamos reduzir o número de pessoas vulneráveis. Para que possamos evitar suicídios, o diálogo é o primeiro passo. Conversar, trazer o assunto à tona e fazer com que essas pessoas saibam que não estão sozinhas e que existem meios de tratar os mais diversos transtornos. Temos que deixar nosso individualismo de lado e olhar cada vez mais para o próximo, pois com a proximidade de relacionamentos saudáveis, conseguiremos prevenir o suicídio.

Não é frescura, não é drama. Não deixe a conversa morrer.

 

REFERÊNCIAS:

http://www.saude.ms.gov.br/2017/09/21/ministerio-da-saude-divulga-1-boletim-de-suicidio-no-pais-e-a-quarta-causa-de-morte-entre-jovens/

https://www.gazetaonline.com.br/noticias/cidades/2018/09/a-cada-dois-dias-uma-pessoa-comete-suicidio-no-espirito-santo-1014147808.html

BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Ed. Zahar, 2001.

DURKHEIM, Emile. O Suicídio: Estudos de Sociologia. São Paulo, Martins Fontes, 2000.
Fonte: Yanka Caldeira
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