Espiritualidade em Ambiente Escolar

A dimensão espiritual da vida humana tem sido objeto de estudo em diversos círculos acadêmicos. Muitos grupos de pesquisa interdisciplinar e interinstitucional vêm investigando e organizando dados significativos, fomentando assim a produção de conhecimento no campo acadêmico e, mais recentemente, a possibilidade de materialização desses dados também no ambiente educacional.

Entre esses grupos de profissionais estão: educadores, médicos, teólogos, psicólogos, antropólogos, administradores e outros cientistas, que ultrapassando as barreiras ou vinculações religiosas e eclesiais, procuram dialogar sobre a religião e a espiritualidade humana e sua influência nas instituições a partir de uma abordagem não-proselitista. Tal perspectiva se ancora no pressuposto de que há um núcleo central, aglutinador das várias formas de conhecimento, e que, portanto, estes podem ser “religados”[1].

Vale salientar que a espiritualidade é uma dimensão essencial na experiência humana. Portanto, analisar esse conceito, relacionando-o com a experiência religiosa e suas interfaces com as demais ciências, nos ajudam a entender o grau de relevância dessas novas descobertas ao contribuir para uma melhor compreensão do indivíduo em sua relação com o ambiente escolar.

Pesquisas feitas em países como Brasil, Canadá e Estados Unidos, buscam provar como a experiência de caráter espiritual ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas e sua produtividade em sua diversa rede de relacionamento (família, escola e trabalho). A espiritualidade hoje também se apresenta enquanto uma dimensão estratégica, posto conferir significado à missão das instituições, bem como ao trabalho das pessoas. Na medida em que essa consciência é assumida por tais pessoas, os fatores buscados pelos gestores das organizações, como, por exemplo, o desempenho, a motivação, o espírito de equipe, a qualidade e o foco no cliente e a comunicação eficaz, fluem com maior facilidade. O Prof. Dr. Pe. Christian de Paul de Barchifontaine, em sua comunicação no encontro “mundo da saúde” em abril de 2007, comentou:

A espiritualidade nas empresas refere-se em primeiro lugar ao respeito à vida. Isto significa considerar o ser humano na sua totalidade, respeitando e investindo em todas as suas dimensões: física, intelectual, emocional e espiritual; criando uma cultura corporativa sustentada em valores, fazendo com que a ética e os valores humanos universais e espirituais iluminem as decisões, as estratégias, as políticas e todos os relacionamentos da organização. A empresa é um organismo que deve e precisa descobrir a sua dimensão transcendental: a sua identidade, a sua razão de existir e a sua missão. Precisa definir os seus valores e as suas crenças sobre os quais se apoiarão as suas políticas, procedimentos, ações internas e externas[2].

Nesse sentido, a escola entre outras instituições e organizações, deve compreender que sua construção se dá também através de elementos “transcendentais” que resgatam valores e estimulam a integralidade do ser humano por meio da espiritualidade.

Rui Cezar[3] em seu livro “O renascimento do sagrado na educação” fala de uma educação interdisciplinar e no exercício da pedagogia como uma arte: arte da vida. Segundo o autor, o professor com atividades simples em sala de aula pode colaborar para o autoconhecimento dos alunos. O Autor acrescenta que é importante que saibam quem são, o que sentem, quais suas necessidades, desejos e conectem com o “sagrado” que existe dentro de si. Nesse sentido, o professor poderá ajudar seus alunos a vencerem seus medos, suas culpas, ou seja, colaborar para que reconstruam os seus conhecimentos emocionais, respeitando a si, enxergando e respeitando o outro e consequentemente poderão cuidar da sociedade e do mundo que os acolhe.

A natureza do movimento espiritualidade no ambiente escolar possibilita uma nova dinâmica para os membros da comunidade escolar, consequentemente, para a educação em geral. Dessarte, pensar uma espiritualidade laica no contexto da escola torna os processos educacionais menos burocráticos, intolerantes, preconceituosos e mecânicos. Restabelece, assim, o significado ao sentido da escola e cria processos e ambientes humanizadores.

[1] Cf. MORIN, Edgar. O desafio do século XXI: religar os conhecimentos. Lisboa: Instituto Piaget, 1999, p.15.

[2] BARCHIFONTAINE, C.P. Espiritualidade nas empresas. O Mundo Da Saúde. São Paulo: abr./jun. n. 31 v.2, p. 301-305, 2007.

[3] Cf. ESPIRITO SANTO, Rui Cezar do. O renascimento do sagrado na Educação. Petrópolis: Vozes, 2008.

Prof. Me Clayton Machado

 

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