Os Desafios e Possibilidades da Educação Inclusiva

Atualmente muito se discute sobre a educação inclusiva no Brasil, pois a evolução científica apresentou a sociedade o entendimento de que deficiência não significa incapacidade. Até bem pouco tempo a sociedade se esforçava para isolar as pessoas diferentes, e as famílias por despreparo e medo da rejeição, as mantinham escondidas ou superprotegidas, afastando-as assim do preconceito.

O reconhecimento da inclusão das crianças com necessidades especiais na sociedade surgiu Século XX, quando foi fundado o Instituto Pestalozzi, em 1945, o qual pela primeira vez atendia as crianças e jovens com deficiência intelectual. Em 1954 a APAE inaugura a sua primeira instituição. Essas representaram um avanço no atendimento às pessoas com deficiência, embora ainda de maneira precária. Presumiram-se que daí diante não haveria mais espaço para o comodismo das famílias e nem tão pouco lugar para a irresponsabilidade política e social diante das deficiências.

Após o surgimento das instituições filantrópicas como a Pestalozzi e a APAE, que prestavam um atendimento especializado as crianças com deficiência, subjugadas sob preconceito, foi promulgada a Lei n° 7.853/89 (BRASIL, 1989) que garantiu a educação especial na escola pública determinava, que sua oferta fosse gratuita e obrigatória. Na década de 90, surgem várias discussões sobre qual o modelo adotar quanto ao atendimento educacional, que veio a ser denominado de inclusão escolar, porém as crianças tem que se adequar a instituição e plano de ensino aplicado pela mesma.

Em 1994 um acontecimento considerável ocorre sob a promoção do governo Espanhol e pela UNESCO denominada de Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais. Esta conferência produziu a Declaração de Salamanca, cujas discussões criam novas orientações e anuncia que as escolas regulares constituam meios eficazes de combater a discriminação aos alunos com necessidades educacionais especiais, cujo objetivo é conseguir a educação para todos.

Com respaldo legal, estabelecida pela Lei de A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº. 9394/96) estabeleceu, entre outros princípios, a “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” e recomendou que a educação para “educando com necessidades especiais” ocorra, preferencialmente, na rede regular de ensino.

Existem normas estabelecidas que possibilitam o acesso das crianças com necessidades educativas especiais com transtornos globais, e melhorias na adaptação dos espaços aos que apresentam deficiência física.

No entanto, todas as mudanças trazem desafios e carências que precisam ser ajustadas, com o propósito de alcançar os objetivos essenciais. Um dos desafios recai sobre o profissional que atua no Ensino Fundamental, bem como em outros seguimentos da educação. Os professores ainda buscam condições melhores para atuar nas especificidades apresentadas necessitando do auxílio de um estagiário ou cuidador, que em sua grande maioria ainda não tem preparo específico para atender com eficácia as necessidades deste aluno de acordo com as diversidades encontrada. Um ponto de destaque é a mudança de postura do professor, que precisa enxergar a classe de trabalho estudantil como um universo heterogêneo.

As ações cooperativas no contexto educacional facilitam a inclusão, cuja proposta não é de igualar a todos, mas respeitar as diferenças apresentadas em cada um, percebendo no ser humano a variedade de características que se apresentam. A inclusão pode ser uma ação de estímulo no processo de aprendizagem e consequentemente na construção pessoal, pois destaca as habilidades e as diferentes possibilidades que cada um pode conquistar, mesmo aos que precisam de cuidados especiais.

Ignorar as marcas da diferença é converter as chances de sobreviver ao fracasso, antecipando uma previsão negativa que pode ser alterada. No entanto, os educadores precisam se comprometer com a nova realidade, diferente do que ouviram por muito tempo.  Quando se inclui uma criança com necessidades educativas especiais, não se está fazendo um favor, e sim cumprindo e validando o compromisso profissional na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.  Construir essas mudanças pressupõe reconsiderar uma realidade que antes se pensava estática e homogênea forçando crianças com diversas habilidades a se moldarem nos padrões considerados “normais”.

Professora Aline Franklin
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2 pensamentos em “Os Desafios e Possibilidades da Educação Inclusiva”

  1. Podemos dizer que foi dado o primeiro passo na educação escolar incluindo alunos especiais nas escolas, porém precisamos formar professores capacitados e toda equipe para o melhor desempenho e desenvolvimento dos alunos …

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