Curiosidade Sobre a Língua de Sinais

Atualmente nas discussões educacionais, o assunto que se destaca é sobre a comunicação da comunidade surda e de seu envolvimento com a sociedade em geral.  Com uma interação no campo educacional e profissional, já não é mais possível pensar que Libras é apenas mímica ou uma representação que os surdos utilizam para se comunicar.

A pesquisa sobre Língua Brasileira de Sinais tem evoluído e vem sendo reconhecida como uma língua com estrutura própria, que se difere das línguas orais por ser uma língua gesto-visual usada pelas comunidades surdas de todo o mundo. No entanto, assim como as línguas orais são distintas, as línguas de sinais tem características diferenciadas  em cada país, sendo estas orais ou gestuais.  Os surdos brasileiros falam LIBRAS (língua brasileira de sinais), já os americanos ASL (língua de sinais americana) e neste contexto estão os Estados Unidos e o Canadá. O fato de países terem o mesmo idioma não significa que falam a mesma língua de sinais como é o caso de Brasil e Portugal, onde cada um se comunica com a sua própria língua de sinais.

Segundo (Figueira, 2011) no Brasil as comunidades surdas urbanas são usuárias de LIBRAS, mas há relatos de uma tribo indígena na Amazonas, como os Urubus-Kaapor que utilizam a língua de sinais própria de sua tribo. Há ainda, como nas línguas locais, o regionalismo, pois, cada estado ou até mesmo cidades tem sinais que diferem uns dos outros como se fosse o sotaque atribuído à língua oral.

A Língua Brasileira de Sinais foi reconhecida por Lei Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002) como meio de comunicação e expressão das comunidades surdas do Brasil, sendo assim reconhecida como língua oficial no país. Um grave empecilho é que a língua ainda não é ensinada para toda a comunidade escolar, restringindo-se somente a comunidade surda. Para Vygotsky (1989) a trajetória do progresso individual se origina nas relações sociais e, a linguagem da criança se desenvolve no plano das interações sociais. Assim, enquanto as escolas não utilizarem a Língua Brasileira de Sinais para todos os estudantes, esta interação ficará cada vez mais atrasada. Além disso, os cursos de licenciatura e bacharelado precisam investir na formação de seus estudantes, pois, a comunicação é um meio amplo de interação e harmonização social.

As línguas diferem-se umas das outras diante de suas particularidades, sejam oral ou gestual, mas se denominam como línguas a partir das estruturas linguísticas e através das unidades mínimas que formam as mais complexas, possuindo assim, os mesmos níveis linguísticos, o fonológico, morfológicas, sintáticas e semânticas.

Os fonemas não tem sentido quando estão sozinhos, ou melhor, não tem significado, mas ao combiná-los formam os morfemas e por fim as palavras. Os fonemas c/n/s/e/a/ não têm significado, mas ao combiná-los formam os morfemas {canec-} {-a} {-s}, de modo que o morfema diferente dos fonemas, cada um apresenta um significado: {canec-} é o radical, o {-a} é o “gênero feminino” e o {s} significa o “plural” e por fim formam a palavra “canecas”. A consequência dessas junções formam as frases. Já nas línguas de sinais ao invés de usarmos os fonemas, morfemas, a sintaxe e a semântica, temos os cinco parâmetros que se estruturam como unidades mínimas:

Configuração de mãos: são posições das mãos para fazer a datilologia (alfabeto manual) ou para produzir um sinal.

Ponto de articulação: é o ponto do corpo ou espaço onde será realizado o sinal (cabeça, peito, ombro etc.).

Movimento: Alguns sinais possuem movimento outros não exemplo disso são os verbos ajoelhar e castigar apesar de usar o mesmo sinal, porem um tem movimento e o outro não.

Orientação: É a direção que a mão segue para definir o sinal e apontar a direção errada pode mudar o sentido do sinal.

Expressão facial e/ou corporal: são movimentos da face e do próprio corpo para expressar intensidade dos sinais e, ainda alguns sinais vêm acompanhados de expressão, como é o caso da palavra “tristeza” ou “alegria” dentre outros.

Portanto, o que chamamos de “palavras” na língua orais e auditivas denominamos de “sinais” nas línguas gestos-visuais. Na combinação desses quatro ou cinco parâmetros tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar esses elementos para que se formem as palavras e assim, a construção de frases de um contexto. (FIGUEIRA,2011,p.30)

A língua de sinais fornece à criança surda a oportunidade de acesso ao mundo individual e coletivo. E quanto mais cedo ela for inserida nos estudos da língua brasileira de sinais, ainda na Educação Infantil, com mais naturalidade a linguagem será adquirida, promovendo a inserção social, o desenvolvimento cognitivo e a aquisição de sua cidadania, além de quebrar a barreira do preconceito.

REFERÊNCIA

FIGUEIRA, Alexandre dos Santos. Material de apoio para o aprendizado de LIBRAS. São Paulo: Phote. 2011.

BRASIL. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

MOURA, M.C. O surdo: caminhos para uma nova identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

Prof.ª. Jakeline das Graças Soares
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